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Carmen Portinho e sua gigante trajetória na Engenharia, no Urbanismo e na Arquitetura do Brasil.

Atualizado: Mar 6


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Nascida em Corumbá, no Mato Grosso do Sul, em 1903, e criada no Rio de Janeiro, Carmen Portinho foi a terceira mulher a se formar em Engenharia Civil no Brasil, pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, em 1926 (a primeira foi Edwiges Maria Becker, também pela UFRJ, em 1917). Na década de 30, Carmen foi a primeira mulher a obter o título de Urbanista no Brasil, graduando-se com a defesa da tese e do projeto de uma proposta para a “Capital do Brasil no Planalto Central”, com o qual participaria do concurso que elegeu o projeto de Lúcio Costa para a construção de Brasília.


Carmen Portinho teve uma carreira brilhante. Trabalhou intensamente na Prefeitura do Rio de Janeiro durante três décadas, despontando em diversos cargos, sendo o mais importante como diretora do Departamento de Habitação Popular.


No campo da habitação social, foi convidada a conhecer o que estava sendo realizado na Inglaterra como soluções para a falta de moradia decorrente da II Guerra Mundial, ainda em curso na época. Na Europa, viajou a Paris para se encontrar com Le Corbusier.


Portinho foi casada com o arquiteto Affonso Eduardo Reidy, figura importante da Arquitetura Moderna no Brasil - muitas de suas principais obras foram realizadas em parceria com Carmen, várias vezes trabalhando sob a chefia dela.


Na diretoria do Departamento de Habitação Popular, Portinho propôs e iniciou a construção do Conjunto Residencial do Pedregulho, um dos complexos de habitação social mais conhecidos e importantes do mundo, no Morro de São Cristóvão, e também foi engenheira responsável pelo Conjunto Habitacional da Gávea, ambos no Rio de Janeiro e projetados por Reidy.


Após sua saída da Prefeitura, assumiu a construção do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, também projetado por seu marido.


Em meados da década de 60, foi convidada pelo governador Francisco Negrão de Lima a criar a pioneira Esdi-Escola Superior de Desenho Industrial, numa época em que as escolas de Desenho Industrial ainda eram escassas pelo mundo. Foi diretora por 20 anos, até a Esdi ser incorporada pela UERJ.


Além de tudo, Carmen Portinho é um dos nomes mais importantes do Movimento Feminista no Brasil, militando em prol da conquista feminina e do reconhecimento profissional das mulheres. Em 1919 também participou da organização do movimento sufragista, na luta e defesa pelo direito de voto das mulheres, e atuou na Federação Brasileira pelo Progresso Feminino desde sua fundação. Em 1937 participou da criação da Associação Brasileira de Engenheiras e Arquitetas (ABEA), única entidade profissional de classe composta exclusivamente por mulheres à época, sendo sua primeira presidente.


Um dos escândalos de sua carreira foi logo em seu último ano de faculdade, quando começou a dar aulas em um internato masculino, algo impensável para aquele tempo, mas onde permaneceu por três anos - o próprio Ministro da Justiça, à época, quis interferir em sua nomeação para o colégio, mas não conseguiu removê-la.


no final da década de 80, durante o período de propostas para a Constituição que estava sendo escrita, foi convidada pelo Conselho Nacional dos Direitos da Mulher a entregar, junto de outras mulheres, ao presidente da Câmara dos Deputados, a Carta das Mulheres aos Constituintes, com propostas para a Constituição.


Após uma longa e frutífera vida, faleceu em 25 de junho de 2001, aos 98 anos.


Que sua gigante trajetória, sua força, vida e legado, sirva de inspiração e modelo para todos nós e as futuras gerações de arquitetas, engenheiras, designers e mulheres no mundo todo!

Fontes:

https://cpdoc.fgv.br/producao/dossies/JK/biografias/carmen_portinho

https://www.vitruvius.com.br/revistas/read/arquitextos/02.015/853

https://casaclaudia.abril.com.br/arquitetura/mulheres-na-arquitetura-feminismo-carmen-portinho/


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