ACESSIBILIDADE E HUMANIDADE

NBR 9050 - todo projetista conhece. É a norma que trata da "Acessibilidade a edificações, mobiliário, espaços e equipamentos urbanos".

Quem se formou após a implementação dessa NBR já saiu da faculdade com algumas certezas, como a necessidade de uma porcentagem de banheiros adaptados em edificações públicas  e coletivas, a altura do corrimão acessível, a inclinação correta das rampas.

Mas no meio de normas, de contas, de regras, muitas vezes nos esquecemos do principal: o porquê delas existirem. E a resposta é simples: elas todas existem por uma questão de humanidade.

Como arquitetos, devemos garantir que todas as pessoas tenham os mesmos direitos e a mesma experiência dentro de uma edificação. Não é uma questão de conseguir encaixar um banheiro maior no meio de um espaço apertado, e sim de garantir que alguém com uma necessidade especial (que pode ser momentânea, inclusive) possa utilizá-lo como todas as outras pessoas, sem precisar de ajuda e, principalmente, sem passar por qualquer tipo de constrangimento.

Você já quebrou alguma parte do seu corpo? Já se deparou com uma escada, mesmo que pequena, quando estava com o pé engessado? Então, com certeza naquele momento você adoraria uma rampa, com uma inclinação bem pequena. Eu mesma já quebrei o sacro, e por vários meses fiquei impossibilitada de fazer a grande maioria das coisas, e o que me ajudava era exatamente aquilo feito dentro da norma de acessibilidade.

Não adianta fazer um banheiro adaptado dentro de uma empresa e esquecer que o filtro de água também deve estar a uma altura coerente. Adoramos projetar belas escadas - devemos adorar projetar belas rampas. Escada e rampa devem trazer a mesma experiência para os seus usuários.

Ao passarmos o olhar de "acessibilidade" para um "desenho universal", tudo parece fazer mais sentido. Se todas as pessoas têm direitos iguais, a arquitetura deve ser igual a todos. É nosso trabalho, como projetistas, garantir isso.