COBOGÓ, UM ELEMENTO TIPICAMENTE BRASILEIRO!

Quando pensamos em arquitetura brasileira é quase impossível não nos lembrarmos de exemplos da nossa Arquitetura Moderna, com seus elementos característicos como os pilotis, os brise-soleil e os longos planos contínuos das janelas de vidro.

Mas se existe um elemento marcante do período moderno, amplamente utilizado e tipicamente brasileiro, é o cobogó.

Também conhecidos simplesmente como “elementos vazados”, os cobogós estão presentes em inúmeras obras de arquitetura brasileiras. Caíram em desuso décadas atrás, mas voltaram com tudo nos últimos anos, sendo utilizados como fechamentos e divisórias externas ou internas.

Num país tão ensolarado e quente como o Brasil, diversas foram as soluções desenvolvidas para melhorar o desempenho térmico dos edifícios, e dentre elas os cobogós.

Foi na década de 1920, em Recife, que um grupo de três engenheiros, o português Amadeu Oliveira de Coimbra, o alemão August Boeckmann e o brasileiro Antônio de Góis, buscou uma solução para minimizar os efeitos da alta insolação típica do Nordeste nos ambientes internos, e criou elementos vazados que pudessem substituir partes dos fechamentos externos, batizados com a união de seus três sobrenomes - CO, BO, GÓ, cobogó.

Aliado à beleza de sua geometria, que proporciona um belo jogo de luz e sombra e permite a privacidade enquanto mantem a permeabilidade visual, os cobogós ainda permitem a entrada de luz e ventilação natural, ao mesmo tempo em que minimizavam os efeitos da incidência do sol. Por conta disso, hoje são vistos, também, como uma opção bastante sustentável.

A inspiração para os cobogós veio dos muxarabis, elementos vazados de madeira (comumente chamados de “treliças de madeira”), provenientes da cultura árabe, muito utilizados como divisórias de ambientes internos e bastante comuns na arquitetura colonial brasileira, onde também aparecem com frequência como fechamentos de janelas.

Divisórias tipo muxarabi. (fonte da imagem: http://decorandocomclasse.com.br/wp-content/uploads/2011/10/small-river-house-05.jpg)

Divisórias tipo muxarabi.

(fonte da imagem: http://decorandocomclasse.com.br/wp-content/uploads/2011/10/small-river-house-05.jpg)

"Casa do muxarabiê" - Diamantina, Minas Gerais. Mostra uma das aplicações dos muxarabis, como fechamentos de janelas, na arquitetura colonial brasileira. (fonte da imagem: http://diamantina.mg.gov.br/turismo/pontos-turisticos/)

"Casa do muxarabiê" - Diamantina, Minas Gerais. Mostra uma das aplicações dos muxarabis, como fechamentos de janelas, na arquitetura colonial brasileira.

(fonte da imagem: http://diamantina.mg.gov.br/turismo/pontos-turisticos/)

Vista interna da Caixa D´água de Olinda-PE, projeto de 1934 e primeiro edifício a utilizar os cobogós como fechamento externo. (fonte: https://www.flickr.com/photos/prefeituradeolinda/8737680865)

Vista interna da Caixa D´água de Olinda-PE, projeto de 1934 e primeiro edifício a utilizar os cobogós como fechamento externo.

(fonte: https://www.flickr.com/photos/prefeituradeolinda/8737680865)

No entanto, foi apenas a partir da década de 1940 que os cobogós se difundiram na arquitetura brasileira, quando começaram a ser utilizados por Lúcio Costa (importante arquiteto moderno brasileiro e responsável pelo plano diretor de Brasília), como referências sutis à arquitetura colonial brasileira.

Fachada de um edifício do Parque Guinle, no Rio de Janeiro, projeto de Lúcio Costa. (fonte: http://www.costaflores.com.br/tendencias-e-inspiracoes/45/cobogo--uma-invencao-brasileira)

Fachada de um edifício do Parque Guinle, no Rio de Janeiro, projeto de Lúcio Costa.

(fonte: http://www.costaflores.com.br/tendencias-e-inspiracoes/45/cobogo--uma-invencao-brasileira)

Por estarem tão intimamente adequados às soluções que edifícios brasileiros necessitavam, os cobogós foram muito bem aceitos e aparecem como elementos de peso em muitas obras modernas.

Conjunto Residencial do Pedregulho, no Rio de Janeiro, projeto de 1947. (fonte: http://www.archdaily.com.br/br/01-12832/classicos-da-arquitetura-conjunto-residencial-prefeito-mendes-de-moraes-pedregulho-affonso-eduardo-reidy)

Conjunto Residencial do Pedregulho, no Rio de Janeiro, projeto de 1947.

(fonte: http://www.archdaily.com.br/br/01-12832/classicos-da-arquitetura-conjunto-residencial-prefeito-mendes-de-moraes-pedregulho-affonso-eduardo-reidy)

Hoje, temos inúmeras opções de cobogós, com diferentes tipos de geometria, cores e materiais, variando desde os clássicos cobogós de cimento e tijolo até os de cerâmica esmaltadas e outros materiais diferentes.

E além de serem ótimas opções para fechamentos externos e internos ainda trazem uma dose extra de beleza ao projeto! Que tal apostar em cobogós no seu projeto?

* Fonte da imagem de feature: http://www.costaflores.com.br/tendencias-e-inspiracoes/45/cobogo--uma-invencao-brasileira